Quiosque

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

O combustível para o crescimento económico

Em breve, a inteligência artificial estará presente em todos os setores de negócio, mas também na vida diária de cada um de nós. Permite reduzir custos, automatizar processos e decisões e está a transformar a forma como se trabalha.

O cenário futurista em que robôs e humanos convivem diariamente e em que a resposta para um conjunto de problemas está, com toda a certeza, num qualquer ecrã digital já é uma realidade a diversos níveis. Com a ajuda da inteligência artificial (IA) é possível decidir mais rápido e com maior eficiência nas empresas, implementar uma estratégia de marketing mais eficaz, conhecer o perfil do cliente ao pormenor e até antecipar a quantidade de vendas de um produto ou serviço. A um nível mais lúdico, a IA permitirá criar experiências cada vez mais personalizadas de férias, atividades de lazer, treino desportivo ou, no limite, encontrar o Wally em milésimos de segundo...

Numa altura em que o crescimento económico é uma necessidade em qualquer parte do mundo, a IA surge como um novo fator produtivo e tem o potencial de criar novas fontes de crescimento através da alteração dos métodos de trabalho e reforçando o papel das pessoas para impulsionar o crescimento nos negócios. Segundo um estudo da Accenture sobre o impacto da IA em 12 economias desenvolvidas, ela permitirá duplicar os níveis anuais de crescimento económico em 2035. Para tal, revela o mesmo estudo, será necessário alterar profundamente a forma como se trabalha e criar uma relação entre homem e máquina sem precedentes. O impacto da IA contribuirá para aumentar a produtividade laboral até 40%, permitindo aos trabalhadores usar o seu tempo com maior eficiência.

Ao que tudo indica, os gestores já perceberam que esta é uma tendência a que não podem escapar se quiserem manter-se competitivos, o que justifica o aumento com os gastos em IA. De acordo com uma pesquisa do banco Morgan Stanley, durante este ano os investimentos nesta tecnologia crescerão bastante. Diz o estudo que 48% dos CIO (Chief Information Officer) estão a implementar ou a testar sistemas de IA e Machine Learning. O ano passado esta percentagem era de 33%.
Estes investimentos terão também em mira o potencial de aumento de receitas e lucros. Em três anos, revela a Gartner num outro estudo, o lucro adicional nas empresas gerado pela IA chegará a 96,9 biliões de euros (sim, são triliões se pensarmos no sistema métrico norte-americano).

PUB

HUMANOS VS. MÁQUINAS

Mas a massificação desta tecnologia está também a levantar questões – algumas polémicas –, desde a intromissão na vida privada à dependência tecnológica, com uma consequente redução do pensamento crítico, até às mudanças que impõe no mercado de trabalho – e haverá uma crescente necessidade de novas skills, o que, dizem os mais céticos, levará muitos ao desemprego.

No entanto, como disse ao mundo a robô Sophia durante a última edição da Web Summit em Lisboa, não há que ter medo das máquinas, que não vão aparecer para roubar os empregos aos humanos. Até porque, em linha com o que existe já hoje, as máquinas ocupar-se-ão das tarefas repetitivas e de baixo valor acrescentado, deixando as restantes para a criatividade humana.

Não faltam exemplos atuais do que pode ser feito com a ajuda da Inteligência Artificial. Desde a caixa de correio eletrónico que 'escolhe' as mensagens que sabe que queremos ler, até aos assistentes de calendário que comparam agendas e marcam reuniões, passando por traduções entre diferentes idiomas (com a fiabilidade de uma tradução humana) conseguidas em poucos segundos, só para dar alguns exemplos.

Sendo a Inteligência Artificial uma tecnologia que 'aprende' com o utilizador, o objetivo é que se adapte às suas necessidades, evitando perdas de tempo com atividades e processos não core nas empresas. Por exemplo, e segundo a consultora Gartner, 25% das operações de apoio ao cliente contarão, em 2020, com assistentes virtuais ou tecnologias chatbot através dos seus canais de fidelização. Esta percentagem era de 2% em 2017.

No que se refere ao contacto das empresas com os seus clientes, a IA pode ser uma verdadeira mais-valia. De acordo com um estudo da Gartner, a redução do número de questões colocadas por telefone, chat ou email é muito elevada, com empresas inquiridas a referir percentagens na ordem dos 70%. As mesmas organizações referem o aumento na satisfação do cliente como outra vantagem competitiva.

Onde está o Wally?

Quem não se recorda do Wally, o simpático personagem que tende a perder-se nas multidões e em cenários de aspeto caótico? Agora, o rapaz do gorro vermelho existe também numa versão robô. Criado pela agência Redpepper, a máquina, chamada There’s Waldo (“Aí está o Wally”), utiliza uma câmara que fotografa uma página do livro. Esta imagem é depois analisada pela ferramenta AutoML do Google, que permite criar aplicações de Machine Learning sem conhecimentos técnicos. O robô Wally possui ainda um braço mecânico que aponta a imagem do personagem no livro. A empresa que criou o novo robô assegura que é possível encontrar o Wally em 4,45 segundos.

As dicas dos especialistas

Para ajudar à implementação da Inteligência Artificial, as grandes consultoras (as chamadas big four) alertam para algumas questões que, mal resolvidas, poderão criar barreiras ao desenvolvimento.
• Preparar a nova geração - Integrar a inteligência humana com a inteligência das máquinas de forma a que possam co-existir pacificamente, e criar uma relação de aprendizagem mútua, reavaliando o tipo de conhecimento e de skills necessárias para o futuro.
• Desenvolver regulação direcionada para a IA – Atualizar e criar leis ajustáveis e capazes de acompanhar as mudanças, para acabar com a lacuna entre a velocidade a que evolui a tecnologia e a capacidade de resposta regulatória.
• Desenvolver um código de ética para a IA – Os debates éticos devem ser complementados com boas práticas para o desenvolvimento e a utilização de máquinas inteligentes.
• Realçar os efeitos positivos da tecnologia – A classe política poderá ajudar a clarificar os contributos da IA e os seus benefícios, bem como a identificar os seus pontos fracos, de forma a ajudar os grupos da sociedade mais afetados pelas mudanças no panorama do emprego.