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Machine Learning

Há inteligência artificial na indústria do entretenimento

Com a chegada em força de cada vez mais serviços de streaming de conteúdos audiovisuais há novas técnicas de inteligência artificial para conhecer e manter um público fiel. Depois da netflix e amazon, segue-se o youtube, disney, fox, apple e companhia.

A inteligência artificial está na moda um pouco por todo o lado, mas no streaming de conteúdos audiovisuais tem tido um impacto e aumento impressionante. Há vários exemplos deste uso associado ao que o público acaba por escolher ver. O mais recente foi o anúncio da 20th Century Fox: conseguiu produzir um sistema de deep learning capaz de prever quem vai assistir a um filme baseado no seu respetivo trailer.

Os investigadores da empresa, para treinar o sistema, alimentaram-no com centenas de trailers ao longo dos anos, cruzados com milhões de registos de audiência dos filmes. O que a inteligência artificial usada depois permite é estabelecer ligações entre a performance dos filmes em determinado grupo demográfico e os elementos visuais dos trailers, da iluminação às cores, passando pelos rostos, entre outros elementos.

FoI usado o sistema Tesla P100 da NVidia para machine learning, suportado pela infraestrutura TensorFlow na cloud da Google e, de acordo com os resultados divulgados, o modelo em causa não só apresentou resultados precisos da audiência para os filmes lançados como conseguiu prever com sucesso novos filmes, a cerca de seis a oito meses de estrearem nas salas de cinema.

O objetivo é que a rede neural agora divulgada possa ajudar os executivos dos estudos e os produtores dos filmes a tomarem decisões em tempo real nas diferentes etapas das campanhas de marketing.

A INTELIGÊNCIA DA NETFLIX

Um dos casos mais surpreendentes no streaming é a Netflix. O gigante dos conteúdos audiovisuais passou de uma empresa que alugava filmes há quase 20 anos para um produtor mundial de conteúdos originais e distribuição em streaming que conseguiu mudar a forma como se veem séries, filmes e companhia.

A empresa norte-americana tem tido um crescimento a nível mundial exponencial. Com 130 milhões de subscritores, o gigante norte-americano sustenta várias técnicas de inteligência artificial para manter o público fiel e fazer o chamado binge-watching, o que quer dizer fazer maratonas a ver séries.

O cinema e a inteligência artificial

A ficção científica sempre foi um palco importante para mostrar robôs surpreendentes (para o bem e para o mal) e inteligência artificial em geral. Se há muitos exemplos disto na história do cinema, mais recentemente Steven Spielberg mostrou-nos um mundo de realidade virtual incrivelmente ‘real’ numa sociedade que vive mais tempo na rede virtual do que no mundo verdadeiro. Spielberg já nos tinha mostrado que podemos sentir compaixão por um robô no filme A.I. Inteligência Artificial. Bem antes de Ready Player One, já Matrix tinha criado uma rede de escravos da inteligência artificial onde a fronteira entre o que é real e o que é artificial parece pouco clara. Antes disso, foi Blade Runner, nos anos 80, a tornar-se num filme de culto, num conflito entre humanos e os chamados “replicantes” – seres artificiais inteligentes. E Stanley Kubrick celebrizou a voz de um sistema de inteligência artificial chamado HAL 9000 em 2001 Odisseia no Espaço. Não faltam muitos e bons exemplos do cinema ao serviço da imaginação tecnológica.

Além de ser habitual os episódios de séries da Netflix deixarem quase sempre água na boca para ver o próximo, há outras técnicas mais evoluídas para atrair espectadores. A experiência na página principal é o que faz a diferença. Existe sempre uma área para mostrar o que já foi visto, ao estilo checklist, e as imagens de cada série, documentário, filme ou espetáculo podem ser diferentes – existem normalmente mais de 10 de cada conteúdo –, dependendo dos gostos habituais daquele utilizador.

A Netflix criou forma de colocar os hábitos e gostos pessoais num sistema de algoritmos que traça o perfil de cada um como consumidor. Daí que existam mais de duas mil comunidades de gostos – taste communities. Dependendo dos gostos pessoais, são apresentados mosaicos com fotos diferentes para cada conteúdo e sugestões de séries adequadas a esses gostos. A série mais popular em todas estas “comunidades de gostos” é Stranger Things.

UNS E OS OUTROS

Esta estratégia está a ser utilizada também por outros serviços streaming, como a Amazon Prime. O negócio do streaming está a crescer de tal forma que todos os gigantes tecnológicos querem entrar. A Google anunciou no ano passado aposta forte no seu YouTube TV, um serviço streaming pago que, além de ter 40 canais, vai ter conteúdos próprios e sempre com a utilização de inteligência artificial para potenciar a personalização e cativar novos públicos.

Pelo mesmo caminho está a gigante Disney, que deverá lançar um novo serviço no princípio do próximo ano, e a própria Apple, que tem, inclusive, já um acordo para ter conteúdos feitos pela produtora de Oprah Winfrey no valor de mil milhões de dólares. O streaming está na moda e recomenda-se.

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